2022-ALTO DOURO-Património Musical

Descrição

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2022

Ha 25 anoss
MUSEU DO DOURO

há 20 anos
ALTO DOURO VINHATEIRO PATRIMÓNIO MUNDIAL
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Rumo ao
ALTO DOURO VINHATEIRO PATRIMÓNIO IMATERIAL MUSICAL

O Património Imaterial do Alto Douro é constituído por:
Cantigas da Vinha, Lendas e Narrativas, Rimances, Cantares e Rimas Religiosas
Chulas, Desgarradas

(Ver no GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO

https;//amadora-sintra-editora.pt

publicado em 2006, 2007 e 2009 – (3 volumes, 1.150 músicas, 1.920pgs.)

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Homenagem ao primitivo HOMEM DO DOURO

O Homem dos primórdios, saibrador do Alto Douro

... molhou o Pão dos Filhos nos rios de suor do rosto;
... a Fé e a Arte deram Dignidade e Libertação ao escravo;
... 'rasgava uma Chula' como rasgava uma dúzia de bardos na 'caba';
... violentou a Eternidade, como Diónisos e Prometeu;
... criou o seu próprio Paraíso-D'ouro, como São Leonardo;
... ... e fez florir um arco de violino dos calos da enxada!

GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO Vol II (contracapa) 

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Uma proposta:

Elevação da MÚSICA DO DOURO a PATRIMÓNIO IMATERIAL MUNDIAL

Sou o autor do GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO, uma recolha (com um estudo histórico-literário) de 1.150 musicas em 3 grandes volumes, num total de 1.920 pgs.
Tenho vindo a partilhar essas e várias outras músicas (letras e som mp3) através do meu site:
https://amadora-sintra-editora.pt

 

Vamos mostrar à UNESCO:

Além das marcas materiais da Paisagem, será bom não esquecer o Património Imaterial do Douro:
As narrativas em prosa, as narrativas em verso (os rimances), as canções de amor e trabalho da vinha, as chulas, as tunas rurais, os cânticos religiosos, as desgarradas….
Estas Memórias colectivas fazem com que a Poesia e a Música constituam uma das expressões da alma suprema do Povo do Douro.
Se a poesia revela fragilidades, as músicas são imutáveis: qualquer melodia, mesmo a mais linear, tem as estruturas matemáticas de um diamante.
Estes diamantes foram polidos por muitos séculos de uso sobretudo a partir de um eixo comum, que se pode situar no séc. XI: a centralidade de Santiago de Compostela.
Tal centralidade foi garantida, ampliada e solidificada pela acção da ordem de Cister de S. Bernardo, que, aqui no Douro, fundou vários conventos: S. João de Tarouca, Salzedas, S Pedro das Águias, St Maria de Aguiar…  o que não foi por acaso.
A monarquia borgonhesa trouxe até D Afonso Henriques as vinhas natais da Borgonha e a acção vitivinícola dos frades sublimou-se na criação do “vinho cheirante de Lamego”, domínio de Egas Moniz, de Afonso Henriques e de D. Sancho I.

– O Douro vitivinícola foi uma criação de Cister, com D. Afonso Henriques (Varais, 1142);

– O primeiro Trovador (cantiga de amigo, 1199, é D. Sancho I;

– O primeiro Teatro em Portugal é dos dois Bobos de Canelas (do mesmo D. Sancho I, 1193).

Pessoalmente, como duriense, embora viva em Sintra, sinto muito que o nosso Douro pouco se tenha atrevido a estudar e a reivindicar o seu privilegiado estatuto e pioneirismo político, religioso, cultural e económico a nível nacional.

Tudo o que é sociologicamente importante está documentado nas mensagens das cantigas:
De facto, esse tempo factual da Fundação de Portugal é de guerra e sofrimento; mas a Memória Imaterial preserva, na poesia e na música, o amor, e a religião, e a ruralidade, e a iniciativa feminina, e os cenários domésticos, e o matriarcado, e o animismo (comunhão com a terra)… e, mais ainda, as festas e os bailaricos, as troças, as más línguas e quezílias… nas cantigas de amigo, de amor e de maldizer dos Cancioneiros.
Felizmente, ainda tem sido possível arquivar parte de todo esse manancial sociológico em cancioneiros e outras recolhas, e identificar as grandes estruturas  formais da arte poética e musical, que ainda hoje perduram em muitas cantigas do Alto Douro:
o leixa-pren, o número par de estrofes, a adaptação à dança (com voz e coro), o refrão, o paralelismo, a alternância vocálica das rimas….

Assiste-se actualmente a uma grande degradação dos gostos e modas comerciais desta sociedade de abuso e consumo: até a própria Língua Portuguesa se está a bastardizar e a corromper …
Mas é estimulante a receptividade que a UNESCO demonstrou ao reconhecer a MÚSICA ALENTEJANA como Património Mundial.

Como instituições e pessoas de vocação cultural, penso que tudo temos de fazer para promover ao máximo este projecto.

Sintra, Páscoa de 2022
Altino Moreira Cardoso

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ACTUALIZAÇÃO:


Estamos a prosseguir o processo de registo do Património Musical do Alto Douro 
na Listagem Nacional do Património Imaterial, da 
DIRECÇÃO GERAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL
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Prioridade de registo: 
1. RIMANCEIRO DO ALTO DOURO (in: GCAD), de Altino M Cardoso
120 rimances medievais (estudo histórico-literário inicial, letras e pautas)
2.  CANTIGAS PARALÍSTICAS (50) DO ALTO DOURO (in: GCAD), de Altino M Cardoso 

(Pedida a colaboração de Instituições alto-durienses) 


PATRIMÓNIO IMATERIAL DO ALTO DOURO

As ofertas de trabalho nas vinhas do Alto Douro atraíam e concentravam todas as manifestações de arte das serras circundantes.

Não é possível estabelecer uma certidão de nascimento para quaisquer dessas músicas (cantadas ou apenas tocadas): mas documentam-se, sim, as ligações de conteúdo e forma literária de muitas cantigas tradicionais às raízes galego-portuguesas do início da Nacionalidade, ainda hoje estudadas nas Escolas.

Nas canções tradicionais encontramos a continuidade histórico-cultural desde o galego-português (cantigas de amigo, amor e maldizer), o trabalho e as estações do ano, os provérbios, a vida doméstica e social, a religião (a oficial católica e a popular), os rimances (alguns ligados a Carlos Magno – séc IX !), os lazeres dos bailes e das festas e romarias, os serões… e, até, os maldizeres…

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GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO 

3 volumes, 1920 páginas, 1150 cantigas tradicionais (pautas).

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PARA VER, OUVIR, PROCURAR, ADQUIRIR:

Site: https://amadora-sintra-editora.pt

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Livros (músicas, letras e enquadramentos histórico-literários):

Loja – MUSEU DO DOURO (Régua)

Lojas DRCN – MUSEU DE LAMEGO (S. João de Tarouca + Salzedas) 


Contextos histórico-literários das cantigas

Ver muito bem:
Introdução ao Grande Cancioneiro do Alto Douro (vol I):

Estudo das raízes dos cantares tradicionais:

O contexto histórico galego-português, a geografia, a formação de Portugal, os temas, os géneros, a sociologia, as formas literárias, as simbologias… 

Síntese:

ENQUADRAMENTO HISTÓRICO-LITERÁRIO DAS CANÇÕES

 Lamego, Braga, Guimarães e, depois, Vila Real, antigas e nobres terras do início da Nacionalidade, foram importantes pólos de consolidação da nossa Nacionalidade e de Romagem a Santiago de Compostela, a mais importante romagem da Europa (…)

Aqui tomavam alento espiritual as Cruzadas contra os Mouros (…)

Ao mesmo tempo, as peregrinações ou Jacobeos (Tiago=Jacob) transformavam também Santiago de Compostela num centro difusor da Cultura Medieval, pois aí eram expostas ao púbico as criações dos trovadores, jograis e segréis:

as cantigas de amigo, amor e escárnio. (…)

As cantigas de amigo galego-portuguesas têm um valor literário e sociológico elevados, o que se pode consubstanciar em algumas grandes características gerais:

A – A Coita de iniciativa feminina. Revela-se nas preocupações da donzela relativas ao seu amigo, integrado nos perigos e ausências das guerras (‘fossado’ ou ‘ferido’) da fundação e consolidação da nossa nacionalidade.

B – A Ruralidade. O sujeito poético (ou iniciativa lírica) é a rapariga do campo no seu ambiente: nas bailadas mostra-se sonhadora e sedutora, nas alvas ou serenas encara o dilema de dormir ou não com ele, nas barcarolas ou marinhas lembra a sua partida ou dialoga com as ondas sobre ele, encontra-se com ele na fonte ou no rio, atreve-se a procurar o amor…

C O Animismo. Consiste no desabafo com a Natureza: as flores , o vento, as águas, as ondas…

A coita feminina, a ruralidade e o animismo englobam variados sentimentos de intimismo, confidência (mãe, irmãs, amigas), enlevo, cuidados, ansiedade, paixão, saudade, morte de amor, recusa de mexericos, confiança e insegurança, algum narcisismo…

D O Paralelismo é um conjunto de características poéticas formais e baseia-se na insistência contemplativa numa emoção (saudade, coita, etc.):

– o Número par de estrofes – processo adequado à dança em voz e coro, ou dois coros;

– a Tenção – diálogo, que caracteriza a desgarrada e a cantiga de desafio;

– o Leixapren – repetição do último verso da estofe anterior como 1º verso da estrofe seguinte;

– a Alternância vocálica da tónica – ex. amigo/amado;

– o Refrão – bordão, apoio e síntese métrica da estrofe, ponto de encontro, charneira e partida para nova estrofe.

Para além do valor poético-literário e musical, as cantigas populares medievais e do Alto Douro legam-nos um manancial de pormenores sócio-culturais,

que muitas cantigas actuais ainda conservam, de modo inesperado, mas flagrante.

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Mais obras do autor sobre o Alto Douro:

 

Ver:  POESIA TRADICIONAL DURIENSE 
(Estudo historico-literário – Separata do GCAD )
D. Sancho I – Primeira Cantiga de Amigo 

“Muito me tarda/ O meu amigo na Guarda!”

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Ver: RIMANCEIRO DO ALTO DOURO
(Separata do GCAD Vol II)
(Estudo histórico-literário e alguns Mp3)

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Ver: LEONARDUS, O PROFETA – Canções e histórias da Pátria Antiga
(Lendas de S. Leonardo de Galafura e D. Afonsinho Henriques)
(Rimances d’ouro em Mp3)

 

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CANCIONEIRO MUSICAL DE PENAGUIÃO

Em colaboração com o P. Dr. Manuel T Mourão

Pautas e algumas músicas em mp3

 

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Acesso a Miguel Torga 

I – A CRISÁLIDA

Em preparação:

II – A BORBOLETA

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Ensaio:

O HOMEM DO DOURO

NOS CONTOS DE JOÃO DE ARAÚJO CORREIA

(Elementos narrativos dos contos recolhidos numa Base de Dados independente)

 

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História do vinho:

DO VINHO DE MISSA DE CISTER AO VINHO DO PORTO

Desenvolvimento do estudo iniciado em A MAGNA CARTA…

 

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História do Vinho:

Estudo: A MAGNA CARTA DA HISTÓRIA DO VINHO DO PORTO

(A escritura dos Varais – por Cister, em 1142)

[Ver também: WIKIPÉDIA e Google – Altino Cardoso]

 

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História da Literatura:

Origem do Teatro português:

OS BOBOS DE D. SANCHO I E O INÍCIO DO TEATRO EM PORTUGAL

A Escritura da Doação de Canelas aos bobos-actores (1193) por D. Sancho I teve como testemunhas todos os bispos de Portugal.

 


Livros: 
Loja do MUSEU DO DOURO
Lojas da DGCN (DIRECÇÃO REGIONAL DA CULTURA DO NORTE):
 MUSEU DE LAMEGO - S J TAROUCA - SALZEDAS - Sta MARIA DE AGUIAR

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