GCAD_TUNAS-VALSAS

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GCAD_TUNAS-VALSAS

A Música, com instrumentos individuais ou de grupo, sempre esteve presente na generalidade das festividades humanas, religiosas ou laicas: casamentos, baptizados, bailes, serenatas, arraiais… como actualmente.

As tunas rurais eram numerosas no Alto Douro e não tocavam apenas músicas importadas de outras regiões, sobretudo do Porto, mas orquestravam artesanalmente as cantigas tradicionais e autóctones, que achavam mais a seu gosto.

Na minha área infantil e juvenil (noroeste da Régua: Loureiro, Godim, Fontelas, Sanhoane, Medrões ) conheci pessoalmente alguns tocadores: na tuna de Loureiro, a minha freguesia, de que destaco o Armindo Chiné um clarinetista, pela sua intuição melódica e harmónica e (era caseiro) capacidade de liderança, Todos aprendiam e tocavam de ouvido, mas ele quase escrevia algumas pautas.

Quando o Pároco e a Junta de Loureiro precisaram de dinheiro para restaurar a torre da igreja, cada lugar da freguesia (uns cinco) formou um rancho com a respectiva Marcha e tocadores próprios; a recita só se completou em três anos. (Ver mais, neste site, em “Marchas da Juventude”)

Mas as urgências do trabalho da vinha tornavam muito penosa a prática musical destes homens de família; e quando os jovens começaram a deslocar-se para as escolas do concelho (por vezes em transportes fretados pelas câmaras, dadas as distâncias, o tempo e o relevo), as vocações perdiam-se facilmente, dissipando-se em novos horizontes, interesses e diversões.

A decadência e extinção destas tunas deu-se fatalmente quando começaram a aparecer os aerofones – harmónicas (realejos, gaitas de beiços), harmónicos (harmónios), concertinas, acordeões… Como agora, possuíam na mão direita um teclado focado na melodia e ainda o teclado  na mão esquerda, harmónico, com acordes de acompanhamento. Emulavam já o timbre sonoro de alguns instrumentos… Isto é: forneciam a música completa, ainda por cima dotada de muito melhor amplitude e projecção sonora – e a afinação era perfeita.

O golpe final foi dado pela difusão da energia eléctrica, que permitiu não ainda a TV, mas já os rádios, os gira-discos, logo a seguir os instrumentos electrónicos, com acordes automáticos…

Qualquer taberneiro podia, sozinho, adquirir os discos da moda e organizar belos bailes aos domingos, com discos pedidos e dedicados e pagos, o que, com o fornecimento dos copos da animação e um fast food sabidão, gerava uma saborosa receita semanal.

Os grupos musicais transformaram-se em conjuntos, que compunham grande parte do seu repertório e se dedicavam a actuar nas Festas da Região, rentabilizando a música com cachets e venda de cassetes de sua iniciativa.

Destaco o Conjunto Regional Duriense de Alcino Mesquita Gouveia (e o irmão Zé), homens de uma grande criatividade como compositores, cantores e tocadores das próprias cantigas.

Em Fontelas também se criou e ainda hoje existe o grupo Rabelos do Douro,

Também ainda recordo que, em Medrões (concelho de Sta Marta) existia um outro conjunto, nesses tempos liderado pelo violinista Arnaldo Guedes, o Arnaldinho da Singer.

Não posso deixar de referir a existência do Rancho de Barqueiros (antes do Rancho da C do Povo), o mais antigo de Portugal e que ainda hoje existe – ver referência à data de criação no meu livro “CANCIONEIRO SALOIO”.

A Música nunca deixou de estar presente na Região do Douro. Foco apenas o eixo Régua-Godim-Loureiro-Sanhoane- Medrões, mas desde sempre conheci várias tunas e bandas musicais provenientes de Cinfães e, sobretudo, Resende – onde ainda hoje existem duas bandas: a de S. Cipriano Nova e… a de S. Cipriano Velha.

Depois dos 14 anos, data em que o meu pai me ofereceu um violino, ainda escrevi as pautas e toquei umas músicas com os tocadores de Loureiro e também de Godim, com o Rancho de Ariz, dinamizado pela família Carvalhais. Tocávamos a Chula de Loureiro (ver/ouvir neste site), uma das mais bonitas e tocadas de entre todas – animava o rancho de Loureiro na romaria à N Sra da Serra do Marão, todos os anos e ainda actualmente.

Depois em Coimbra, a TAUC, as viagens nas férias para o País e estrangeiro, não me davam hipóteses de presença na música das minhas raízes.

É esta música que quero deixar escrita (letras e pautas) em alguns livros, coroados na obra GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO, um trabalho de mais de 50 anos, editado em 2006, 2007 e 2009, com 1.150 músicas, 3 volumes, total de 1.920 páginas.

OBS – Ver e ouvir mais sobre a obra – procurar neste site.

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EXEMPLOS

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Valsa do Big Ben   (GCADouro, Vol II – Pg 806)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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Valsa 3  (GCADouro, Vol II – Pg 792)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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Valsa Amor de Mãe    (GCADouro, Vol II – Pg 795)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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Valsa Anda o Mar  (GCADouro, Vol II – Pg 796)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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Valsa das Vistas do Marão  (GCADouro, Vol II – Pg 805)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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Valsa Maria    (GCADouro, Vol II – Pg 813)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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Valsa Longe de Ti   (GCADouro, Vol II – Pg 806)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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Valsa Meu Benzinho   (GCADouro, Vol II – Pg 814)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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Valsa Saúde Dinheiro e Amor   (GCADouro, Vol II – Pg 824)  [Recolha e harmonização: Altino M Cardoso]

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