GCAD_CANÇÕES de EMBALAR

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GCAD_CANÇÕES DE EMBALAR

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O Vol II do GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO regista as letras e pautas de canções de berço, não apenas bonitas mas também muIto antigas e raras.
É de salientar a grande qualidade poética das letras, transmissoras de um amor e carinho delicados e encantadores, que vários cantores souberam apreciar e divulgar, sobretudo o Zeca Afonso.
Não deixa de transparecer em algumas cantigas a dolorosa amargura de uma mãe doente ou sofredora…
Mas é também de notar a ‘originalidade’ de alguns argumentos das mães para convencerem os rebentos a fechar os olhos: o papão, a raposa…
Transcrevemos algumas destas canções de embalar. [págs. 881 – 897]
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EXEMPLOS:
Toda a mãe que tem meninos (GCAD_Vol II – pg 897) [Harm Altino M Cardoso]

Toda a mãe que tem meninos (bis)
não se le inore o cantare:
quantas vezes ela canta (bis)
com vontade de chorare!…
Dorme, dorme, meu menino,
este sono de amargura:
amanhã, por esta hora,
tens a mãe na sepultura.
Mama, mama, meu menino,
este leite de paixão:
amanhã, por esta hora,
tua mãe está no caixão…
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Acalanto  (GCAD_Vol II – pg 881) [Harm Altino M Cardoso]

Uma mãe que o filho imbela todo o seu fim é chorar, só por não saber a sorte que Deus tem para le dar!
Sai-te daí, ó papão, de cima desse telhado: deixa dormir o menino o seu sono descansado!
Bai-te imora, reixenol, deixa a baga do loureiro, deixa dormir o menino que está no sono primeiro!
O meu menino é de oiro, é de oiro o meu menino: hei-de trocá-lo co’os anjos por outro mais pequenino! Dorme, dorme, meu menino, dorme, dorme, meu amor, os anjos do céu te imbelem e a bênção do Senhor!
Dorme, dorme, meu menino, fecha, fecha, o teu olhinho que vem aí a raposa que quer papar o menino.
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Cantiga de ingalhar   (GCAD_Vol II – pg 885) [Harm Altino M Cardoso]

Nana, nana, meu menino, Que a mãezinha logo vem: Foi lavar os teus paninhos À fontinha de Belém…
Nana, nana, meu menino, Nana, que eu nano também: Quem o seu menino imbela Só quer que ele druma bem…
Nana… nana…Ru-ru… ru-ru…
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Dorme… dorme…      (GCAD_Vol II – pg 886) [Harm Altino M Cardoso]

Dorme, dorme, meu menino, Que a mãezinha logo vem: Foi lavar os teus paninhos À fontinha de Belém…
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O meu menino é de oiro   (GCAD_Vol II – pg 890) [Harm Altino M Cardoso]

O meu menino é d’oiro, É d’oiro é o meu menino; Hei-de levá-lo aos anjos Enquanto é pequenino.
O meu menino tem sono E o sono não lhe quer vire; Nossa Senhora lo mande Para o menino dormire…
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Olha o bichinho   (GCAD_Vol II – pg 893) [Harm Altino M Cardoso]

Olha o bichinho que anda no telhado: – deixa dormir o menino descansado!…
Olha o bichinho que anda a passear: – deixa dormir o menino, descansar!…

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GCAD_MÚSICAS-RURALIDADE

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GCAD_MÚSICAS-RURALIDADE

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O GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO recolhe canções que, embora maioritariamente de amor, se inspiram em praticamente todos os níveis das diversas nuances sociológicas e profissionais do mundo rural, onde a paisagem – purificada pelas águas do ribeiro, do rio, da chuva e banhada pelo sol, o vento e o mar – oferece uma a convivência saudável e simpática, dada a grande variedade de fauna e flora (pássaros, animais domésticos, de companhia, vigilância, trabalho e transporte, flores, árvores, videiras…) e as pessoas distribuem-se pelas mais diversas actividades e profissões, quer masculinas (carpinteiro, barbeiro, taberneiro, sapateiro, lavrador, pescador…), quer femininas (rendeira, tecedeira, costureira, doméstica, segadeira, lavradora, cantadeira, cozinheira, vareira, padeira…). Também é digna de nota a presença e aceitação de classes, desde o criado e o senhor até ao clero e à nobreza tradicional.

Escolhem-se alguns EXEMPLOS:

Ai que  1128

A laranjinha   1122

Segadeiras  1131

bem cantava a lavadeira   1132

Caninha verde   1135

Carpinteiro não   1137

Costureirinha      1149

O elo da videirinha  1175

sapateiro que bate a sola   1201

 

 

GCAD_RIMAS DEVOTAS

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GCAD_Vol II – RIMAS DEVOTAS [orações tradicionais]

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Incluí algumas das numerosíssimas orações tradicionalmente transmitidas de geração em geração, sem garantia de total ‘ortodoxia teológica’…

Originariamente teriam músicas (gregorianas, sim) ) e estariam, mesmo, ligadas aos rituais das Horas: prima, laudes, nona, vésperas, etc….

Do pondo de vista linguístico, existem vocábulos e formas morfossintácticas notáveis como documentos da evolução da Língua, cujo estudo ultrapassa em muito o âmbito deste site.

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EXEMPLOS

Padre Nosso Pequenino  [Vol II – págs 1112-1117]

Padre-nosso pequenino pelo monte se vai surgindo com as chaves do paraíso. – Quem mas deu, quem mas dera? – Foi Santa Maria Madalena. Cruz no monte e cruz na fonte, nunca o demónio comigo se encontrou nem de noite, nem de dia nem na hora do meio-dia. S.José bate à porta c’ua capa mui devota perguntando por o menino, por o menino do Jordão. O menino põe o pé no seu altar e o sanguinho* a pingar. – Toca, toca, Madalena, não no chegues a limpar, que estas são as cinco chagas que o Senhor tem de passare. Quando Deus era menino pôs o pé no seu altare o sanguinho a pingar. – Toca, toca, Madalena, não no chegues a limpar, que estas são as cinco chagas que eu tenho que passare. já os galos pretos cantam, já os anjinhos se levantam, já o Senhor subiu a cruz. Para sempre amém, Jesus.

*Sanguinho = pequena peça de linho branco com que o sacerdote limpa o cálice no final da missa.

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Padre Nosso saboroso

Padre-nosso saboroso dos tristes desconsolados: Ó meu Deus, ó meu Senhor, perdoai-me os meus pecados. Ó cristão, que és de terra, olha que hádes morrere; Hádes dar as tuas contas do teu bom e mau vivere. Não caias em tentação com’à calma na geada; Lá estão três inimigos à espera da tua i-alma. Quem esta oração dissere três vezes ao deitar, Nem que tenha tantos pecados como areias tem o mar. E flores tem o campo em honra se l´hão-de tornar. As portinhas do céu abertas hão-de estar. Quem na sabe, não na diz, quem na ouve, não na aprende, À hora da sua morte se verá o que s’arrepende.

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Ave Maria Gloriosa

Engelina gloriosa, És formosa como ua rosa. Quando o Senhor quis nascer, Ó souto quis padecer. S. Martinho, confessor Lá se foi p’ra bom romeiro. Lá se vai p’ra monsenhor. As portas que ele chegar Nomeadas elas serão. Nem morra a mulher de parto, Nem filho de abafado, Nem fogo d’alharado.- Ò pombinhas que voais, No biquinho que levais?- Levamos olhos de crisma P’ra baptizar um filho da Virgem Maria Que nasceu neste sagrado dia. Quem esta oração disser D’ano a i-ano De dia a dia, As penas do inferno não veria. Quatro almas de lá tiraria: E a primeira seria a sua, A segunda a de seu pai, A terceira a de sua mãe, a quarta do benfeitor que lá tiver. Amen.

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Nossa Senhora das Dores

Nossa Senhora das Dores, com sete espadas ao peito; Quem muito servir a Deus tirará grande proveito. Amar a Deus é um gosto, amar a Deus é um regalo; Quem isto não considera anda mal encaminhado Pensando d’ir para o céu, mas há-de-s’ achar enganado. Olha a ti, ao pecador olha bem a ti, Que só tens uma i-alma; se a perdes, ai de ti!- Dê-me licença, Senhor, que eu lhe conte a minha vida; De triste que me vejo, não sei como lhe diga. Nossa Senhora das Dores, cofre do ventre sagrado: Tendo tão bom Jesus, pois sempre sejais louvada.

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Ave Maria, minha mãe

Ave, Maria, minha mãe,eu bem sei que paristee a todo o mundo remiste.Remi-me a mim, Senhora,Qu’eu sou grande pecador.Vós sois a casa de ouro,A arca da Santíssima Trindade,em que nos consagraO cálix e a hóstia no altar.Tem como chamao vosso filho Jesus Cristo.E Jesusestá na cruzpregado com cal e cravo.Na casa santa de Romaestá o Senhor aporfinado.E na casa santa de Deus foi ensinar.está cuidandoe pensando nas chagas do Nosso Senhor JesusCristo.Quantas são?Doze mil duzentas e vinte e cinco.

Quem esta oração souber e a disserTrês vezes ao dia, Terá a sua alma tão clara Como a coroa da Virgem Maria.- Quem la disser de manhã, Darei-lhe a minha salvação; Quem na disser à noite, Cinquenta anos que morra Sem ser confessada, Ficará como na mesma hora Em que foi baptizada.

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Grito das Almas

Alerta, cristãos, alerta, Que mandam dizer as almas Que no outro mundo estão, Qu’hemos de ir a batere Às portas do coração. Ó almas esquecidas, Que fazeis, que não rezais, P’ra ver s’as aliviais Daquelas penas acendidas, Cada vez s’acendem mais. Gritam nos pais pelos filhos E os filhos pelos pais E as mães, da mesma sorte. Ai Jesus, que dor tão forte! Tão seguida dos meus ais, Aquela mais sentida voz Pede toda a nós. Toda a noite e todo o dia Sempre estão em agonia, Por ver que não rezais Uma só ave-maria. Uma só ave-maria que rezeis, Grande esmola le fazeis. Gritam pelos seus herdeiros E pelos seus testamenteiros, Que não são desencargados Dos bens que cá deixaram. Ó tão triste pecador: Escutai os vossos ouvidos; Estão as almas em clamor, Dando os seus ais tão sentidos. Oh quem tão mal faz, Quem das almas é irmão Ele perde a devoção. Mandai dizer ua missa no ano, Mandai-l’ essa consolação. Dizem os novos e os ricos E os anjos benditos: Fazei esmolas aos pobres, Cada vez sois mais ricos. Quem isto fizer, A glória eterna Chega a ver.

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Ao entrar na Igreja

Aqui cheguei ao adro sem perguntar a ninguém; há por aqui boa nova do bom Jesus de Belém? Ficai aqui, pecados meus, que eu vou falar com Deus. esta hora não é vossa, é da Virgem, mãe de Deus. Nesta igreja de Deus entro a adorar o cálice bento e ao Santíssimo Sacramentoe aos anijnhos qu’estão dentro. Água benta vou tomar por cima dos meus pecados, p’ra que a hora da morte me sejam perdoados. Meu joelho deito em terra, minha alma ao coração; meus olhos deito ao céu a pedir a Deus perdão.

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Anjo da guarda

Ò anjo da minha guarda Santo anjo do senhor Meu zeloso guardador Se em ti nos confiou, E nos guarde, E nos reze, E domine. Amem.

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Com Deus me deito 3

Com Deus me deito, Com Deus me levanto, Co’a graça de Deus E do Divino Espírito Santo.

Nossa Senhora me cubra C’ o seu manto. Se bem coberta fore, Não terei medo nem temore Àquilo que mau fore.

À honra de Deus E da Virgem Maria, Um padre-nosso e uma ave-maria.

Amém.

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GCAD_RIMAS DE CASERNA

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GCAD-Vol II_RIMAS DE CASERNA

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NOTA:

Nestes exemplos não se transcrevem totalmente as rimas do II volume [10 págs 1056-1065].

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Para a mulher ser infeliz

P’r’ à mulher ser infeliz, só le basta ser mulhere; sempre nas língua do mundo, esteja lá onde estiver.

Que não fala, tem presunção, se passa por indecente; se fala p’ra toda a gente, não conhece a posição.

Mas se ela vai a um serão há lá uma língua que diz:- Ela foi porq’ela quis; foi p’ra aquecer ao amante.

Isto é bastante p’r’à mulher ser infeliz. Se vai à missa asseada, há quem se atreva a dizere:

– Tu não tens para comere e tens pr’andar engomada.Mas se vai suja e mal tratada:

– É um bandalho porque quere, Esteja lá onde estivere e passe por quem passar, para o mundo dela falar. só le basta ser mulher.

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Sete anos servi um amo

Sete anos servi um amo, sete i-anos e mais um mês; por bem criados que tenha, ninguém le faz o que l’eu fez: emprenhei-lhe sete filhas e três criadas são dez; a i-ama pariu de mim e o amo valeu-se a pés.

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O Caloteiro

Senhor José, não me paga? Que vergonha é a sua? Desde que ferrou o cão, Não passou mais nesta rua.- É talvez por lhe dever Ou por ter medo de si.  deixe de comer ,Pra pagar o que bebi? – Trabalhe, seu mandrião, Caloteiro de má raça: Eu, quando compro a fazenda Tenho de largar a massa. Quer você, à minha custa, Encher a pança de graça? Não tem vergonha de ouvir O que dizem quando passa? Trabalhe, seu calaceiro,S e quer ter algum valor: Os calos são os anéis Do homem trabalhador. – Eu calos na mão não quero, É canalha que arrenego; Dispenso esses anéis Que não dão nada no prego. E é você que vem pregar Moral, com esse jeitinho? Foi você que me roubou, Vendendo água por vinho. Lembre-se, seu impostor, Daquele velho rifão Quem enganar um vendeiro Tem cem anos de perdão!

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A Morenita

Era meia noite, e eu à porta sentado, já tudo dormia, só eu acordado, e de repente passa a morenita, sainha bem curta e bela pernita.

Pego na bengala e vou atrás dela:

–  Pst! Olá menina! Pst! Olá donzela!

– Que é que você quer, ó seu atervido? sou mulher casada, já tenho marido!

Volto pra trás, triste e aborrecido: Olha a morenita, que já tem marido!…

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Rimances de cego

GCAD_RIMANCES DE CEGO

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GCAD-Vol II_RIMANCES DE CORDEL E DE CEGO

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EXEMPLOS

DONA ISAURA [GCAD VOL II P 1043]  (Harm Altino M Cardoso)

Estando a Dona Isaura na janela debruçada (bis)

passou lá um rapazote: – Adeus, minha namorada (bis).

Isaura foi pró quintale e o malvado foi trás dela (bis), botou-lhe as mãos à cintura, logo ali fez pouco dela.

Sua mãe alevantou-se, foi saber da sua filha; encontrou-a no quintale, a chorar a triste vida.

– Vá-se embora, minha mãe, não tem cá nada a fazere, em parando minhas mágoas à porta le irei batere. Eram as três da manhã, Isaura à porta a batere:

– Entra, entra, ó minha filha, filha do meu coração, entra pelo corredore, vai a teu pai pedir perdão.

– Perdoa, meu pai, perdoa, tenha dó da desgraçada; tenho uma criança nos braços, do amante abandonada.

Do amante abandonada e da família aborrecida; meu pai, eu vou prá viela, na viela há mais na vida;

vou ganhar muito dinheiro, o meu corpo bem no sente,  Eu vou para a taberna, na taberna há mais gente, vou ganhar muito dinheiro ao balcão duma taberna!

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VAI-SE LER UMA QUADRA [GCAD VOL II – p 1054]  (Harm Altino M Cardoso)

Bai-se a ler uma quadra, Todos podem reparare Que beu fazer aquele homem Do Brasil a Portugale:

Há quatro anos que estaba Da sua mulher ausente, Uma noite tebe um sonho Que ela tinha um amente.

Ele aquerditou no sonho, Num tornou a trabalhari, Tratou de arranjar passaije Pra Portugal e imbarcari.

Era meia-noite im ponto, À porta da infeliz bateu: Deitadinha no seu leito Seu marido conheceu.

Taba deitada na cama Ela e mais uma menina: Era filha duma irmã E dela era sobrinha.

Talhou-le penas e braços, Arrincou-le o coração, Tirou-le nariz e olhos Na maior afelição!*

* Rimance com enredo na linha do de S. Macário (S Pedro do Sul)

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ABANDONEI O MEU LAR [GCAD VOL II – p 1040]  (Harm Altino M Cardoso)

Abandonei o meu lar Com toda a dedicação, (bis)

Fui prá guerra batalhar Meu corpo crucificar Em honra duma nação.(bis)

Quando andava na guerra, Andei por tão maus caminhos! Onde meus olhos perdi E com eles nunca vi O rosto dos meus filhinhos!

Vim prá terra imparado Por um camarada meu Que na guerra foi soldado E combateu a meu lado, Comigo tudo sofreu.

Pensando no meu destino, Essas mágoas me consomem, Ouvi dizer aos vizinhos Que a mãe dos meus filhinhos Vivia com outro homem!

Acabou a grande guerra, Fiquei todo satisfeito: Voltei para a minha terra Para a casinha da serra Mas sem medalhas no peito!…

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GCAD_CANÇÕES INFANTIS

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GCAD_CANÇÕES INFANTIS

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Só no Vol I (ou melhor nas inesquecíveis) ou na iniciação, ou nas esolas).

 

Inesq 20 alecrim – 27 apanhar o trevo – 92 Eu fui ao jardim celeste – 95 eu venho de lá de baixo – 126 Eu tenho um pião – 135 Lá vai uma – 136 laranjinha – 147 Moda da Rita – 175 – 186 oliv serra -187 ora bate padeirinha – 189 papagaio loiro – 182 pombinhas da catrina – 191 parte o pescador – 197 ribeira vai cheia –  200 rosa branca ao peito – 208 senhor do meio – 209 sra d anica – 219 vira-te pra mim ó Rosa – 220 voltinhas do Marão – 222 se tu visses o que eu vi… 223 Ze dos nabos – parabeens a você

GCAD_TUNAS-VALSAS

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TUNAS-VALSAS

valsa 3  792

 

 

amor de mãe    795

anda o mar   796

vistas do Marão  805

big ben   806

longe de ti   812

maria    813

meu benzinho   814

saúde dinheiro e amor   824

 

Fado de Lisboa

GCAD_TUNAS-FADOS (de Lisboa)

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GCAD_FADOS (de Lisboa)

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O Fado, originariamente cantiga de taberna e marginalidade, conseguiu impor-se artisticamente, com belas músicas  e poemas e pôde adquirir há poucos anos o estatuto de Património Mundial pela UNESCO,

As tunas rurais apresentavam repertórios com um fundo de base local e regional, mas também tentavam adoptar experiências eruditas apreendidas em visitas às Grandes Cidades: os espectáculos (teatros de revista, cabarets…) do Porto e, ainda, os de Lisboa.

Era tarefa de ouvido, difícil, pois não havia rádios nem mesmo pautas publicadas. Daí que hoje se torna impossível apresentar um carimbo de autor, ou mesmo de local ou região da recolha, tornando-se injusto arriscar um autor ou local ou uma data, sem ter a certeza.

No entanto, as peças autóctones das nossas Tunas durienses oferecem na gereralidade um sabor genuíno, gerador de uma saudosa emoção muito bem conseguida e conservada

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EXEMPLOS

FADO DA DESGRAÇADINHA [Vol II – p 1158] (Arranjo: Altino M Cardoso)

Virgem casta, eu já fui como tu, já vivi como os anjos do céu; (bis)
esta fronte que vês humildada foi coberta com cândido véu. (bis)
Eu também, como tu, tive flores, tive tanta grinalda singela!
Tive beijos de um pai carinhoso… Eu também, como tu, já fui bela!
Como tu, eu já tive esperança, já gozei dessa vida sagrada:
hoje vivo a lutar com a dor que fulmina a mulher desgraçada!
Tive mãe, como tu inda tens, que velava por minha ventura,
que tornava meus dias ditosos, de seus lábios me dava doçura…
Mas bem cedo, donzela, essa glória, qual um sonho, depressa passou;
essas flores consagradas que tive, foi um beijo infernal que as murchou!…
Esse véu inocente que tive mo tiraram sem pena, sem dó!
Ímpia mão mo rasgou com desprezo, nem as cinzas se encontram no pó!
Ai, perdoa, donzela, este canto repassado de dor e de fel!
Ouve as queixas da triste perdida, que são ecos da sorte cruel!…

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FADO CHORADINHO [Vol II – p 1155]  (Arranjo: Altino M Cardoso)

Fui encontrar a desgraça Onde os mais acham prazer: (bis) Amor, que dá vida a tantos, Só a mim me faz morrer! (bis)

Ó cidra, considra ó cidra, Ó cidra, considra bem: Depois da cidra partida, Cidra, que remédio tem? (bis)

Eu fui a mais desgraçada Das filhas da minha mãe: Todas têm a quem se cheguem, Só eu não tenho ninguém!

Não sei que quer a desgraça, Que atrás de mim corre tanto! Hei-de parar e mostrar-lhe Que de vê-la não me espanto.

Eu quero bem à desgraça Que sempre me acompanhou, Não posso amar a ventura Que bem cedo me deixou!

Quem tiver filhas no mundo, Não fale das malfadadas: Porque as filhas da desgraça Também nasceram honradas!

Das filhas da desventura Devemos ter compaixão: São mulheres como as demais, Filhas de Eva e de Adão.

Debaixo do frio chão, Onde o sol não tem entrada, Abre-se uma sepultura, Finda o fado à desgraçada!

E Deus, que tudo perdoa, E Virgem Nossa senhora, Hão-de ouvir a alma que implora Salvação à pecadora!

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