GCAD_Lendas Durienses

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4. Algumas lendas do Douro medieval

Ver: GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO, Vol III - pgs 1.895 > 1.898

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História e a Lenda de

Santiago de Compostela

De entre todos os discípulos que acompanharam Jesus Cristo, Santiago pertence ao grupo dos mais íntimos, ele esteve presente nos momentos mais importantes da sua vida. Após a morte do Profeta, Santiago participa na evangelização da palestina. Faz parte, com os outros apóstolos, do núcleo central da Igreja primitiva de Jerusalém antes de ser decapitado por ordem de Hérodes Agripppa, neto de Heródes O Grande, aproximadamente em 44 dc, sendo o primeiro apóstolo mártir.

A tradição atribui a Santiago a evangelização da Espanha. Partindo da Palestina ele terá chegado num barco de transporte de Ouro e Estanho, comércio que se desenvolvia nessa época entre a Galiza e a Palestina, à Andaluzia, onde iniciaria a sua pregação até chegar a Iria Flavia (actual Padrón). O seu regresso à Terra Santa seria feito pela via romana de Lugo que atravessa a península passando por Saragoça, dirigindo-se para Valença de onde embarcaria para reentrar na Palestina.

Contudo, sobre este episódio nunca foi encontrado nada escrito pelo que muitos e reconhecidos historiadores medievais duvidam da sua veracidade.
O Breviarium Apostolorum, um registo de biografias dos apóstolos, redigido em Grego e posteriormente restaurado em Latim, fornece um detalhe importante sobre a descoberta do túmulo de Santiago na Galiza o que contribuiria para o nascimento do santuário e das peregrinações.

Após o seu martírio o corpo de Santiago foi, segundo a lenda, transportado por dois dos seus discípulos e enterrado nos confins da Galiza. A sepultura é descoberta no reinado de Alonso II (759-842). A partir do século IX encontram-se alusões a este acontecimento. Porém, não há certezas quanto à data da descoberta do sepulcro apostólico, mas a maioria das fontes católicas apontam datas entre 813 e 820.

A lenda conta que um ermitão do bosque de Libredón, de nome Pelágio (ou Pelaio), observou durante algumas noites seguidas uma “chuva de estrelas” sobre um monte do bosque. Avisado das luzes, o bispo de Iria Flávia,

Teodomiro, ordenou escavações e encontrou uma arca de mármore com os ossos do santo e dos seus discípulos. Informado, o Rei das Astúrias mandou construir 3 Igrejas no lugar indicado, dando-se início às primeiras peregrinações.
Em 872 Afonso III, perante o número crescente de peregrinos manda construir uma majestosa Igreja no lugar da primitiva. Paralelamente, a reputação das peregrinações a Santiago levaria à mudança da sede episcopal de Iria Flavia para Compostela.
Em 951 é registado o primeiro peregrino estrangeiro, na pessoa do Bispo de Puy, Goldescalc.

Os Franceses são os primeiros peregrinos estrangeiros a deslocarem-se ao túmulo do apóstolo no século XI, na segunda metade desse século o carácter internacional afirma-se com a chegada de Alemães e dos primeiros Ingleses.

Nesse tempo a Galiza metamorfoseia-se em Palestina Ocidental.

Contudo, após ter sido um fenómeno religioso durante a idade média, as peregrinações a Santiago conhecem uma progressiva erosão a partir do século XIV, parando mesmo no século XVII por falta de peregrinos. No século XX dar-se-ia o renascer das peregrinações fazendo com que Santiago de Compostela seja o 3.º lugar Santo do cristianismo após Jerusalém e Roma.

Os Caminhos de Santiago

O Caminho de Santiago tem 7 rotas históricas: o Caminho Francês, o Caminho do Norte, a Vía de la Plata, a Rota Marítimo fluvial, o Caminho Inglês, o Caminho Primitivo e o Caminho Português. Para alem destas rotas existe ainda o Caminho de Finisterra que faz a ligação entre a cidade de Santiago e Finisterra.

O Caminho Português

Em rigor não se pode apontar apenas um Caminho Português, antes da marcação do Caminho pelas várias associações e entidades competentes – o que só começou a acontecer nos últimos anos: não havia nem início, nem um percurso definido. Há vários relatos de peregrinos que viajaram para Santiago do sul do nosso país, mas ainda não foi feito o levantamento de nenhum percurso a Sul de Lisboa embora saibamos que existiam.

A partir de Lisboa podemos falar de dois grandes Caminhos que atravessam o país de Sul a Norte, um na costa e um no interior. De Lisboa seguem em direcção a Coimbra (existem duas variantes por Tomar – que corresponde, até Santarém ao Caminho do Tejo – ou por Leiria).

Em Coimbra existem também duas alternativas, pelo interior (por Viseu e Chaves que sai de Portugal em Feces de Abaixo e se junta à Via da Prata em Verin), ou pela costa (em direcção ao Porto).

No Porto temos opção entre Barcelos e Braga. Em Braga segue para Ponte de Lima ou para a Portela do Homem, em Barcelos segue para Viana do Castelo ou para Ponte de Lima. De Ponte de Lima segue para Ponte da Barca e Vilarinho das Furnas ou para Valença.

Existe ainda uma outra alternativa entre Caminha e Vila Nova de Cerveira.
A sinalização do Caminho é feita com setas amarelas e placas de identificação (não confundir com as setas azuis que marcam o Caminho de Fátima).
A via da Prata passa também por Portugal mas não podemos considerar o Caminho Leonês como um Caminho Português embora fosse também utilizado por peregrinos portugueses que moravam nas imediações do Caminho.

4.1 Lenda de Nossa Senhora do Cárquere

O culto de Nossa Senhora de Cárquere, em terras de Egas Moniz, actualmente no concelho de Resende-Douro Sul, já se fazia na época anterior à nacionalidade, em que D. Rodrigo perdeu a Espanha para os Mouros, e sendo provavelmente muito mais antiga. Durante a invasão moura, a pequena imagem da Senhora foi escondida num carvalho oco, juntamente com uma caixa de relíquias, os sinos da ermida e uma cruz de prata. Estes objectos foram aí esquecidos.

Muitos anos depois, nasceu D. Afonso Henriques com um grave problema de saúde: o pequeno infante não tinha acção nas pernas, dos joelhos para baixo. O seu aio, Egas Moniz, teve um sonho em que lhe apareceu Nossa Senhora: a Virgem mandou-o ir a Cárquere e cavar em  determinado local, onde encontraria os restos da ermida e a sua imagem.
Deveria então mandar construir uma nova igreja e sobre o altar colocar o infante, passando aí uma noite de vigília.

A construção terminou quando D. Afonso Henriques tinha cinco anos e as indicações da Virgem foram cumpridas. No dia seguinte, o infante andou e correu como uma criança saudável.
O conde D. Henrique, perante este milagre, agradeceu à Virgem mandando construir, junto à igreja, um mosteiro, que doou aos cónegos regrantes de Santo Agostinho.

4.2 Lenda de Dom Ramiro

D. Ramiro II, Rei das Astúrias e de Leão, que reinou desde o ano de Cristo de 931 até o de 950, numa excursão militar que fez de Viseu, onde então residia, por terras de moiros, viu e enamorou-se da famosa Zahara, irmã de Alboazar, rei moiro, alcaide do castelo de Gaia
sobre o rio Douro.
Recolheu-se D. Ramiro a Viseu com o coração tão cativo e a razão tão perdida, que, sem respeito aos laços que o uniam a sua esposa D. Urraca, ou, como outros lhe chamam, D. Gaia, premeditou e executou o rapto da bela moura Zahara.
Enquanto o esposo infiel se esquecia de Deus e do mundo nos braços da moira gentil num palácio à beira-mar, o vingativo irmão de Zahara, trocando afronta por afronta, veio de cilada, protegido pela escuridão de uma noite, assaltar e roubar, nos seus próprios paços, a rainha D. Gaia.
A injúria faz vibrar na alma de Ramiro o ciúme e o desejo de vingança.
O ultrajado monarca voa à cidade de Viseu, escolhe os mais valentes de entre os seus mais aguerridos soldados, e lá vai à sua frente a caminho do Douro.
Chegando à vista do castello d’Alboazar, deixa a sua ‘cohorte’ oculta num pinhal, e, disfarçado em trajes de peregrino, dirige-se ao castelo e, por meio de um anel que faz chegar às mãos de D. Gaia, anuncia-lhe a sua vinda.
O peregrino é introduzido imediatamente à presença da rainha, que fica a sós com ele. Alboazar tinha ido à caça. D. Ramiro atira para longe de si as vestes e as barbas que o desfiguravam e corre a abraçar a esposa.
Esta porém repele-o, indignada, e lança-lhe em rosto a sua traição.
No meio de um vivo diálogo de desculpas de uma parte e de recriminações da outra, volta da caçada Alboazar. D. Ramiro não pode fugir. Já se sentem na próxima sala os passos do moiro. A rainha, parecendo serenar-se, oculta o marido num armário, que havia na câmara.
Mas, apenas entrou Alboazar, ou fosse vencida de amor por ele, ou cheia de ódio para com o esposo pela fé traída, abre de par em par as portas do armário, e pede vingança ao moiro contra o cristão traidor.
Daí a pouco el-rei D. Ramiro era levado a justiçar sobre as ameias do castelo. Chegado ao lugar de execução, pediu o infeliz que lhe fosse permitido, antes de morrer, despedir-se dos sons e acordes da sua buzina. Sendo-lhe concedida esta derradeira graça, D. Ramiro empunha o instrumento, e toca por três vezes, com todas as suas forças.
Era este o sinal ajustado com os seus soldados, escondidos no próximo pinhal, para que, ouvindo-o, lhe acudissem  urgentemente. Portanto, num volver de olhos foi o castelo cercado, combatido, tomado e depois incendiado.

A desprevenida guarnição foi passada ao fio da espada e Alboazar teve a morte dos valentes: expirou combatendo.
E D. Gaia, como, ao passar o Douro para a margem oposta, se lastimasse e mostrasse dor, vendo abrasar-se o castelo, foi vítima também do ciúme de D. Ramiro que, cego de ira, a fez debruçar sobre a borda do barco, cortando-lhe a cabeça de um golpe de espada.
À fortaleza em ruínas ficou o povo chamando o castelo de Gaia, à margem do rio, onde aportou o barco de D. Ramiro, dando-lhe o nome de Miragaia, em memória daquele fatal mirar da mísera rainha.
Esta é a lenda que se presume ter dado origem ao brasão de Viseu: o Castelo representa o de Alboazar, o tocador de corneta, o rei D. Ramiro e a árvore, o bosque em que se esconderam os soldados de Viseu que libertaram D. Ramiro.
Lenda ou fábula, representa uma forma de interpretação e porque carregada de antiguidade merece bem que se respeite como tal. Mas, fazendo fé em Vilhena Barbosa, nem tudo será hipotético porque “D. Ramiro II roubou a moira Zahara, irmã ou filha d’Alboazar, a qual se fez cristã, tomando no baptismo o nome de Artida ou Artiga. Repudiando a rainha D. Urraca, casou, segundo uns, ou viveu amancebado, segundo outros, com Zahara, de quem teve um filho chamado D. Alboazar Ramires, que foi o primeiro fundador do Mosteiro de Santo Tirso”.

4.3 Lenda dos Távoras

A tradição diz que os irmãos D. Tedo e D. Rausendo (os protagonistas desta lenda, que se
terá passado em 1037) eram descendentes de Ramiro II de Leão. Os corajosos irmãos já há
muito tempo tentavam tomar o castelo de Paredes da Beira que estava na posse do emir
mouro de Lamego, sem qualquer sucesso.

Mas um dia, esgotados todos os outros recursos, D. Tedo e D. Rausendo decidiram usar a astúcia para conseguirem apoderar-se da fortaleza.
Numa manhã do dia de S. João em que os mouros saíam habitualmente do castelo para se
banharem nas águas do Távora, os dois irmãos e o seu exército, disfarçados de mouros
prepararam uma emboscada e entraram no castelo, matando a maior parte mouros que lá
tinham ficado.

Avisados por alguns mouros que tinham conseguido fugir do assalto, os que
festejavam no rio prepararam-se para voltar ao castelo quando foram atacados no rio por D.
Tedo e os seus guerreiros, tendo sido todos dizimados. O vale do rio onde se travou a sangrenta
luta ficou a chamar-se Vale d’Amil, como lembrança dos mouros que tinham sido mortos aos
mil. A lenda diz que os dois irmãos tomaram o apelido Távora a partir dessa batalha, em memória do rio onde se tinha desenrolado a vitória, adoptando nas suas armas um golfinho sobre as ondas, simbolizando D. Tedo, que, a cavalo, tinha vencido os Mouros nas águas do rio.

4.4 Lenda da Caninha Verde

Em tempos que já lá vão, nos primeiros tempos da Reconquista, vivia num palácio em Fataunços, perto de Vouzela, o nobre guerreiro El Haturra, descendente do famoso chefe mouro Cid Alafum (em que entronca o actual topónimo Lafões). El Haturra era velho e feio e nunca era visto sem a sua bengala, uma velha cana que vinha sendo transmitida na sua família, de geração em geração, entregue ao seu novo possuidor com umas palavras misteriosas…
Ora, o facto de El Haturra se fazer acompanhar por aquela cana negra e ressequida era objecto de troça de todos, a tal ponto que um seu amigo, o jovem português Álvaro, o aconselhou a desfazer-se dela. El Haturra confidenciou-lhe, então, que a vara tinha magia e que se um dia chegasse a ficar verde era o sinal sagrado do profético encontro de dois primos descendentes de Cid Alafum. Nesse dia esperado, as terras e os tesouros do antigo chefe mouro voltariam à posse da família e as formosas mouras seriam desencantadas. Uma condição essencial era que ambos os descendentes professassem a religião de Alá.
Um dia, passeavam El Haturra e o seu amigo Álvaro pelo campo, quando viram uma linda princesa, acompanhada por uma formosa aia, de cabelo negro e olhos azuis, que cavalgava um cavalo negro. De repente, a vara começou a ficar verde e El Haturra começou a rejuvenescer, tornando-se jovem e belo.
Ao primeiro olhar, El Haturra tinha reconhecido na aia a descendente de Cid Alafum e, juntamente com Álvaro, saiu atrás das duas jovens que se dirigiam à corte do rei de Portugal.
Diz a lenda que El Haturra conseguiu convencer a jovem aia a casar-se com ele e o rei de Portugal abençoou a união com uma condição: o baptismo de El Haturra. De início, o agora jovem El Haturra opôs-se veemente, mas por fim a sua paixão foi mais forte e aceitou o desejo real.

O baptismo ficou marcado para o dia do casamento e foi então que aconteceu algo de extraordinário: no momento em que estava a ser baptizado, El Haturra voltou a ser velho e feio como dantes. A magia da caninha verde só seria válida se ambos os nubentes professassem a religião de Maomé. A noiva desmaiou naquele mesmo momento e nunca mais quis ouvir falar no seu noivo que desapareceu para sempre, enquanto que a sua cana
verde foi guardada num sítio secreto.

Segundo a tradição, se alguém gritar “Viva o fidalgo da caninha verde!” no mesmo local e à mesma hora em que se deu o encontro entre os dois descendentes de Cid Alafum, ouvirá gargalhadas alegres das mouras encantadas que pensam que chegou a hora da sua libertação. [Sobre a cana verde, ver cap. III – Simbologias]

4.5 Lenda da Senhora da Lapa

Tamanho Resultado de imagem para Sra da Lapa.: 176 x 170. Origem: fotografiaminhalma.blogspot.comDiz a lenda que a imagem de Nossa Senhora da Lapa apareceu num penedo de difícil acesso, junto às terras de Cister. Os devotos construíram-lhe um templo num local mais acessível, mas a imagem da Senhora fugia para o seu penedo sempre que a punham na nova capela.
Este facto insólito ocorreu tantas vezes que os devotos fizeram a vontade à Virgem e construíram-lhe uma capela no penedo. E a Senhora da Lapa lá está hoje, num sítio em que, para a ver, o crente tem de entrar de lado, por mais magro que seja.

Curiosamente, o crente mais gordo de lado entra sempre.
Um dos milagres atribuídos a esta Senhora é o que ocorreu com um caminhante que, adormecendo junto à capela, lhe entrou na boca entreaberta uma cobra. Aflito, o homem acordou e imediatamente invocou no seu pensamento a Senhora da Lapa. Conta a lenda que
a cobra imediatamente virou a cabeça para fora da boca, sendo depois apanhada e morta.

4.6 Lenda do Mouro do Cabril

Beatriz era uma jovem camponesa que todos os dias pastoreava o seu rebanho junto da
ribeira do Cabril. Muito bonita, era disputada pelos jovens do lugar. Talvez fosse por isso que
ainda não se tinha decidido por nenhum, ou talvez por influência das histórias de pastoras e
príncipes encantados que a avó lhe contava.

Um dia junto à ribeira foi surpreendida por um príncipe encantado que a vinha buscar para a levar para o seu palácio de onde nunca mais
sairia. O encanto seria quebrado quando Beatriz tivesse um primeiro filho. Beatriz seguiu o seu sonho e nunca mais voltou a casa. As mulheres diziam que decerto tinha sido o mouro do Cabril que a tinha levado. Tinha fama de belo, poderoso e conquistador e noutros tempos já
tinha levado uma rapariga tão bela como Beatriz.

Passados anos, a mãe de Beatriz recebeu a visita de um mouro, que lhe pediu para ajudar Beatriz a ter o seu filho. A mãe seguiu o mouro até ao palácio encantado, prometendo sigilo contra a garantia de que o seu neto seria um homem livre. A mãe de Beatriz visitou-a durante anos, em segredo, até que um dia, em que estava marcada uma visita, o seu marido a obrigou a acompanhá-lo a uma feira numa terra vizinha. Contrariada, seguiu-o, e lá, por entre a multidão, encontrou o mouro com o seu neto ao colo. Sem se conter, deu-lhe um recado para Beatriz na presença de todos. O mouro e a criança desapareceram em fumo. A mãe de Beatriz ficou louca para sempre por causa, dizem, do desaparecimento da filha levada pelo mouro encantado do Cabril.

4. Lenda da fundação do Mosteiro de Alcobaça por D. Afonso Henriques

Em 1147, a moura renegada Zuleiman apresentou-se nos paços de Coimbra na presença de
D. Pedro Afonso, irmão do primeiro rei de Portugal, surpreendendo o infante com a revelação que aquela seria a melhor altura para conquistar Santarém.

Zuleiman, despeitada por ter sido abandonada por Muhamed, o alcaide de Santarém, queria vingar-se dando aos cristãos as informações que tinha sobre a defesa do castelo. Entretanto, D. Afonso Henriques já tinha enviado o seu cavaleiro Mem Ramires a Santarém para estudar o inimigo; a astúcia e a cautela do cavaleiro foram fulcrais para a decisão do ataque.

Conta a lenda que foi na serra dos Albardos que o primeiro rei de Portugal fez a promessa de construir um mosteiro, se Deus lhe desse a vitória.

Mem Ramires segurou a escada contra as muralhas, por onde entraram os soldados e Santarém amanheceu cristã.

O mosteiro de Alcobaça foi construído em cumprimento de um voto do primeiro rei de Portugal, sendo (juntamente com a Batalha e os Jerónimos) uma das jóias mais preciosas do património arquitectónico português.

5. Algumas superstições

Comichão: na palma da mão é sinal de dinheiro a receber. Se é na palma da mão esquerda é uma visita desconhecida. Na sola do pé é viagem ao exterior.
Objectos perdidos: para os recuperar, é dar três pulinhos para São Longuinho.
Guarda-chuva: o guarda-chuva deve ficar sempre fechado dentro de casa: abri-lo aí traz azares vários.
Brinde: se o seu copo contiver algum tipo de bebida alcoólica, não brinde com ninguém cujo copo contenha bebida sem álcool, senão os desejos serão pervertidos.
Visita: em algumas terras, quando uma mulher é recebida noutra casa por alguns dias, por estima recebe a chave da despensa.
Roupa por fora: colarinho da camisa fora da camisola: pedir alguém em casamento. Combinação a ver-se: rapariga já comprometida.
Noivos: No período de namoro, os namorados não poderiam ser padrinhos de casamento nem experimentar alianças de casamento de alguém, nem sentar ao canto de uma mesa, nem deixar varrer os pés.
É bom oferecer aos noivos um saco para guardar diariamente o pão.
Dois (duas) irmãos (irmãs) não se devem casar no mesmo dia, porque a felicidade pode “fugir” para um (a) deles (delas).
Também não poderia ver a noiva no dia do casamento: só na cerimónia.

A noiva não deve usar ouro, mas uma jóia da alguém que tenha vivido feliz, usar uma liga azul, uma coisa usada e outra emprestada, ou uma coisa nova e uma coisa velha.
Dá sorte atirar com arroz aos noivos e eles oferecerem lembranças de agradecimento aos convidados.
Finalmente, chegando à sua nova casa o noivo deve levar a noiva ao colo, deitando-se numa cama feita “à espanhola” e com uns grãozinhos de açúcar, simbolizando o princípio de uma nova etapa da vida, o matrimónio.
A lua-de-mel parece fugir às superstições: surgiu na antiguidade com este nome porque quando os casais se casavam e iam para casa na noite de núpcias, os vizinhos e parentes desenhavam uma lua, ou um coração, com mel na porta da casa para dar sorte com a ejaculação.

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