GRANDE CANCIONEIRO do Alto Douro [GCAD] II

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GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO II (2007)
Novo livro de Altino Cardoso

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa promoveu na Sede, em 13 de Dezembro último, a apresentação multimédia do segundo volume do GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO, do associado Altino Moreira Cardoso, violinista do antigo Grupo de Cantares da Casa. Além de muitas e variadas músicas tradicionais, foram projectadas belas fotos do Douro e importantes dados histórico-literários.

Às cantigas da Vinha do primeiro volume juntam-se agora músicas instrumentais de Tuna, de Natal, de Reis, de Embalar, Rimances (a maior parte medievais), cantigas do Trabalho, Religiosas, Desgarradas (cantigas ao desafio)…

Trata-se de um projecto apaixonante, erguido em largos anos, com cerca de 1150 músicas, letras e um grande estudo histórico-literário, em 3 grossos volumes, cada um com 640 páginas.

Do Volume III, a sair brevemente [saíu em 2009], constará uma análise histórico e literária dos poemas mais valiosos das nossas cantigas, nomeadamente o enquadramento dos vestígios das Cantigas Populares de Amigo medievais nas circunstâncias históricas que, quase providencialmente, ligaram a fundação de Portugal ao Conde D. Henrique (natural da Borgonha e primo de São Bernardo, o implantador de Cister no vale do Varosa e depois em Alcobaça) e a Egas Moniz, senhor destas terras, em cuja Casa, em Britiande (Lamego), foi criado D. Afonso Henriques (órfão aos 3 anos) e seu filho D. Sancho I.

Acresce ainda que nessa mesma altura foi erigida a Catedral de Santiago de Compostela, cuja força militar está sobejamente documentada na ajuda a Portugal e, culturalmente, na difusão das belíssimas Cantigas do galego-português estudadas nas nossas Escolas – que ainda hoje mantêm vestígios flagrantes de continuidade em muitas letras das nossas cantigas populares, como este Grande Cancioneiro demonstra de modo muito claro.

A presença da Borgonha significa que as melhores castas, tecnologias vitivinícolas e organização empresarial (‘boa cepa’, a Borgonha) vieram com S Bernardo e a Ordem de Cister para o Douro de Egas Moniz, já no século XII.

Os ‘vinhos de Lamego’ precederam a saga dos ‘vinhos do Porto’, antes da demarcação da Região, logo que a excelente e abundante produção do vale do Varosa começou a ser comercializada e exportada, através da barra do Douro. Centenas ou milhares de pipas, ainda na Idade Média.

Torna-se evidente que os mosteiros e empresas cistercienses do eixo Lamego-Tarouca assumem um estatuto cultural, económico e patriótico ímpar na História, na Economia, na Gestão do novo Reino e na Cultura de Portugal.

Ainda hoje o espumante Murganheira conserva no seu logotipo a nobre Flor-de-lis do Conde D. Henrique e dos Duques de Borgonha e Reis de França.

Na nossa Terra existe uma Cultura de grande profundidade histórica, em todos os aspectos da actividade humana; e o nosso Douro não é só o vinho, das vinhas saibradas pelos galegos, mas também as suas e nossas belas e milenares cantigas tradicionais.

Divulgar o que é nosso é um Dever de pessoas de cultura e comunicação.

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. Tunas Rurais – Cantares Religiosos – Rimances – Cantigas avulsas – Desgarradas…

Este volume contém pautas de músicas religiosas tradicionais, músicas instrumentais de Tunas rurais (marchas, valsas…) e ainda uma colecção de cento e dez Rimances completos (letras e músicas), o que constitui a maior colecção integral a nível nacional.

Contém ainda uma boa recolha de Desgarradas, em que não faltam vários esquemas fixos de acompanhamento ainda existentes na Beira-Douro, donde era originária a maioria das rogas fornecedoras de mão-de-obra nas vindimas durienses.

O trabalho visa preservar uma amostragem da enorme e secular riqueza musical – tocada e cantada – da Região Duriense, onde convergia a mão-de-obra de todas as zonas serranas periféricas e, ainda da Galiza.

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Assunto a clarificar urgentemente:

TUNAS DE SOUTELO, BISALHÃES, CAMPEÃ, CARVALHAIS E ANSIÃES

Tunas rurais do Marão e Alvão querem pertencer ao Património Cultural Imaterial

Lusa em Qui, 17/02/2022 – 10:34

Os municípios de Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Amarante querem inscrever as cinco tunas rurais do Marão e do Alvão no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, numa iniciativa conjunta com a Associação Arquivo de Memórias.

A Câmara de Vila Real referiu hoje, em comunicado, que foi assinada uma carta de compromissos entre todos os intervenientes que visa a preservação deste património cultural imaterial e a inscrição das tunas de Soutelo, Bisalhães, Campeã, Carvalhais e Ansiães no inventário nacional.

Estas tunas são agrupamentos musicais de origem popular e algumas são já muito antigas, mas correm risco de extinção devido ao despovoamento das aldeias e ao desinteresse dos mais jovens.

“Este documento vincula o interesse e vontade das câmaras de Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Amarante, juntamente com as tunas rurais de Soutelo, Bisalhães, Campeã, Carvalhais e Ansiães, bem como da Associação Arquivo de Memórias, de contribuírem para a preservação deste valioso património”, salientou o comunicado.

O processo vai ser acompanhado pela Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

Para manter o dinamismo das tunas, tem sido realizado “O Toque” – Encontro de Tunas Rurais do Marão e do Alvão, um projeto conjunto da Associação Arquivo de Memórias, das autarquias e das tunas envolvidas.

“Com esta iniciativa, pretende-se sensibilizar para a riqueza patrimonial deste género de tunas e para a importância de dinamização das que ainda estão ativas, bem como para a reanimação daquelas que já cessaram atividade ou para apoiar a criação de novas”, foi ainda sublinhado.

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OBSERVAÇÃO NOSSA:

As Tunas apresentam repertórios muito menores e menos valiosos histórica e culturalmente do que as antiquíssimas cantigas dos campos e das vindimas do Douro Vinhateiro – que dão continuidade à lírica popular medieval do galego-português de Santiago e da criação do País. (ver, neste site, vários exemplos, anotados)

Seria um erro grosseiro a vários níveis que a parte instrumental que representam não fosse acoplada às restantes manifestações poético-musicais da Região.

As ofertas de trabalho nas vinhas do Alto Douro atraíam e concentravam todas as manifestações de arte das serras circundantes, além de numerosas vagas de Galegos. Nos contextos actuais não há diferença de esforço entre as tunas e tocatas dos Ranchos Folclóricos Durienses de hoje e as Tunas do Marão, ou das outras cercanias serranas (Montemuro, Castro Daire…).

Não é possível estabelecer uma certidão de nascimento para quaisquer dessas músicas (de Tunas e de outras): mas documentam-se, sim, as ligações de conteúdo e forma literária de muitas cantigas tradicionais às raízes galego-portuguesas do início da Nacionalidade, ainda hoje estudadas nas Escolas.

Nas canções tradicionais encontramos a continuidade histórico-cutural desde o galego-português (cantigas de amigo, amor e maldizer), o trabalho e as estações do ano, os provérbios, a vida doméstica e social, a religião (a oficial católica e a popular), os rimances (alguns ligados a Carlos Magno – séc IX !), os lazeres dos bailes e das festas e romarias, os serões… e, até, os maldizeres…

Património Imaterial do Douro nunca poderá deixar de integrar, com as Tunas, as Narrativas, os Rimances, as Chulas, as Desgarradas, as Cantigas da Vinha, os Cantares religiosos… etc. etc.

(Ver no GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO, publicado em 2006, 2007 e 2009 – 3 volumes, 1.150 músicas, 1.920pgs.)

EXEMPLOS

 

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