D. AFONSO HENRIQUES – os Mistérios e a Lógica

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D. AFONSO HENRIQUES – OS MISTÉRIOS E A LÓGICA

Este livro (600 págs.) foca os vários parâmetros relativos ao Primeiro Rei e a Fundação de Portugal:

– o simples Condado inicial, a Península Ibérica a libertar dos mouros, os verdadeiros pais de Afonso Henriques, os perigos galegos, a reconquista, a passagem dos Cruzados, a diplomacia criativa com D. João Peculiar e Bernardo de Claraval, a Obra de Cister no Douro (Lamego) e Alcobaça, a estratégia papal e a Bula “Manifestis probatum…”, a ultrapassagem do primo imperador (D. Afonso VII), os heróis, os milagres, alguma polémica…

Só a luz da Lógica e da Ciência poderá fazer face às sombras da História e prevenir os floreados bairristas da tradição popular, que se vão acumulando em torno do Primeiro Rei.
Para já, tomando como base uma perspectiva de causa-consequência, D. Afonso Henriques elimina do seu projecto Guimarães, derrotando em S. Mamede (1128) a própria mãe e os dois irmãos Travas galegos de quem tinha pelo menos uma filha (ver Herculano) – que era forte desestabilizadora da balança para o lado galego e, portanto, decisivo obstáculo para as aspirações do meio-irmão.
O Infante e seus conselheiros e aliados cedo diagnosticaram e purgaram todo o contexto vimaranense do Projecto da cisão rumo ao novo País – Portugal – para mais tendo de ser desenvolvido no máximo segredo e à revelia do primo (Afonso VII) – o Imperador herdeiro de Afonso VI e legítimo Senhor da Península Ibérica.
A lógica da batalha de 1128 explica que ele funde em Coimbra (1131) a sua Capital, três escassos anos depois de derrotar a (putativa) mãe. Putativa porque o futuro Rei nem sequer será filho de Dona Teresa, a bastarda de D. Afonso VI e irmã de D. Urraca, legítima e única herdeira do pai comum, D. Afonso VI, o imperador e iniciador da intervenção borgonhesa na Península.
O Aio cumpre a promessa de criar o menino, levando-o para a sua área administrativa do Castelo de Lamego e empenhando a própria vida e estatuto familiar e militar a erguer-lhe um reino à revelia do primo imperador, sob os auspícios da Igreja, de Borgonha e dos Cruzados de S. Bernardo (2ª Cruzada), que, além de libertarem a Europa quase a sucumbir aos Muçulmanos, os iam combater à Terra Santa, contornando a costa portuguesa.
Mas, como está inegavelmente documentado, o verdadeiro filho do Conde D. Henrique e D. Teresa nasceu “tolheito das pernas”.
Egas Moniz resolve o assunto de modo criativo, forjando o “milagre de Cárquere”, facilmente aceite e mantido secreto dada a uníssona cumplicidade do clero, do povo e da nobreza militar, que unanimemente repudiavam promiscuidade da bastarda de Guimarães, solidarizando-se com a solução do Aio para o drama fatal que tinha em mãos.
Entretanto a Ordem (borgonhesa) de Cister – em que pontifica Bernardo de Claraval, primo do Conde D Henrique e mentor das Cruzadas – transpõe para o Douro, com início logo em 1132, uma poderosíssima alavanca espiritual (religião), cultural (alfabetização), assistencial (hospitais e asilos) e económico (granjas de cereais e vinho), instalando nada menos de quatro (!) conventos na área do castelo de Lamego e do futuro Rei, filho de Egas Moniz e da sua cidade.
Esta estratégia não beliscou minimamente o estatuto ibérico de Braga, mas centralizou no Ribadouro a iniciativa político-militar, ideológica e económica, assumindo agora Lamego a essência das grandes dinâmicas que logo desligaram o novo País das presas compostelanas do noroeste galego-português.
É de uma lógica claríssima que Guimarães nunca poderia ser a capital de Afonso Henriques, nem o lugar escolhido para o seu eterno descanso, que foi partilhado com o seu primogénito, D. Sancho I, em Coimbra (Santa Cruz). Também se torna lógico que o Conde D. Henrique e, depois dele, a esposa, repousem na Sé Arquiepiscopal de Braga, Primaz das Espanhas, continuando Guimarães remetida ao primitivo estatuto inerte de condado.
A partir da centralidade de Coimbra e do eixo militar do Mondego o reino foi-se alargando até ao Tejo, Alentejo e, finalmente, Algarve, instalando e mantendo estratégicos aríetes, não só militares, como o castelo de Leiria, mas também erguendo em Alcobaça mais um convento de Cister, como rectaguarda de apoio económico e civilizacional.
Isto é: o “tolheito” Afonsinho filho de Henrique foi substituído por um dos vários filhos de Egas Moniz e sua mulher – sendo portanto um dos irmãos do mártir Martim Moniz herói da conquista de Lisboa, em 1147, apenas três anos após o título de rei (um dos que estavam sujeitos ao Imperador de totius Hispaniae) obtido em Samora (1143) com intervenção do papa Inocêncio II (quatro anos depois de outro ‘milagre’ a juntar ao de Cárquere: o de Vila Chã de Ourique, a escassos quilómetros de Santarém, poderoso reduto da vanguarda muçulmana conquistado ainda em 1147, como Lisboa, franqueando a fronteira do novo país para além do Tejo.
Finalmente a Bula do papa Alexandre III atribuíu, em 1179, a independência a Portugal, à revelia dos direitos e expectativas do primo, o Imperador D. Afonso VII, o sumo responsável pela defesa do Catolicismo em toda a Península.
A independência decretada pela suprema Autoridade foi uma surpresa estrondosa, que vinha sendo preparada na clandestinidade pelas diligências diplomáticas de D. João Peculiar (arcebispo de Braga), que mantinha óptimos contactos com o próprio S. Bernardo de Cister e Borgonha. A clandestinidade perante o primo Imperador, envolvera com pleno sucesso os eventos estratégicos essenciais, desde o “milagre” de Cárquere (que reabilitou o menino escolhido), até ao “milagre” de Ourique (1139 – que consagrou a sua escolha), passando pelas Cortes clandestinas de Lamego (1139) na igreja de Almacave – que ultrapassou o simples condado de Guimarães e o nomeou Rei e oficializou a elite do seu estado-maior, que já tinha instituído a capital em Coimbra, em 1131, também clandestinamente e logo que a Mãe e seus apaniguados foram vencidos em S. Mamede,
Mas a estratégia do reconhecimento papal estava certa: a situação geográfica de Coimbra (e depois Lisboa, em 1147) permitia não só garantir a manutenção da protecção do litoral português e o apoiar logístico a passagem das frotas para a Terra Santa e, ainda, beneficiar de forte ajuda ajuda militar na conquista do espaço a sul do Tejo – o que já tinha sido demonstrado na conquista de Lisboa (1147) e outras, mais a sul.
Perde, assim, algum interesse essencial no exíguo espaço deste site falar-se de local e data de nascimento do primeiro rei [ver no livro muitos outros pormenores de interesse e estudo]; mas, em memória e respeito pelo insigne historiador Almeida Fernandes, deixamos aqui um pormenor, a acrescentar aos que o bairrismo de Guimarães ignora: junto a Viseu existe um local denominado… Gumirães!
O bairrismo ou clubismo histórico amplia mínimos vestígios e minimiza a lógica sequencial da História, no caso concreto ‘maquillada’ e camuflada com milagres, por óbvios motivos de sigilo, dado que o senhor pleno da Ibéria era o Imperador Afonso VII e já em 1127 tinha aparecido a ‘avisar’ e ‘prevenir’ as veleidades do filho e da mãe.
Entre Braga e Guimarães existe uma rivalidade secular – ainda hoje são os “guerreiros” e os “conquistadores”. E, se a beleza ímpar do Castelo de Guimarães tem solidificado cada vez mais a mística vimaranense, também o abafado castelo de Braga se pode proteger no poderoso argumento de que o local escolhido pelos titulares do Condado – D. Henrique e D. Teresa – foi a Sé de Braga, primaz das Espanhas.
Mas, se o bairrismo contumaz não encontrar a lógica dos factos, ficará esclarecido o essencial quando a Ciência comprovar que o PAI DA PÁTRIA PORTUGUESA, que jaz na igreja de Santa Cruz em Coimbra não é o “tolheito das pernas” de Guimarães, mas um esplêndido exemplar de homem e guerreiro das serras de Montemuro e das vinhas de Cister. E se o clubismo é desculpável como simpático folclore e fait-divers, mais grave é a tacanhez do próprio Estado, que proíbe a abertura do túmulo de Santa Cruz e a análise do ADN, negando verdadeira dignidade à História, que precisa de estabelecer a identidade indesmentível do Fundador de Portugal – mesmo que a miscelânea genealógica, já comprovadamente  presente em tantas sucessões reais, venha a atolar na lama certas datas, famílias e figurões da nossa Monarquia.
Será essencial esclarecer as coisas de uma vez por todas, para não andarmos sempre a aturar rivalidades minhotas, manobradoras de atrevidas datas ‘históricas’, em que a História é sentida como irmã do folclore: os “Conquistadores” e “Guerreiros do Minho”, andam periodicamente a desafiar os rivais e os curiosos para umas ‘gaitadas’ ao desafio de renhida desgarrada minhota e umas ferrenhas jogatanas de bola, tudo bem regada com verde, broa e coiratos.

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