400 CPR – CANÇÕES da EMIGRAÇÃO

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Descrição

A criação poético-musical dedicada à EMIGRAÇÃO é digna de um respeito muito especial, pois engloba profundas situações emocionais e delicadas problemáticas familiares, que ultrapassam as próprias necessidades de sobrevivência económica.

Nesse sentido este site inclui uma amostragem de canções de AMC, gravadas em mp3, que fazem parte dos conteúdos do livro CANÇÕES INESQUECÍVEIS LUSO-EUROPEIAS e, ainda, nomeadamente, do volume intitulado “400 CANÇÕES PRÓPRIAS REUNIDAS”, que compila a produção musical própria de AMC, portanto exterior às recolhas que integram os 3 grandes volumes do GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO.

Nas letras das canções estão presentes as grandes mensagens e preocupações da mística do Emigrante: a Mãe, a Noiva, a Casa, os Filhos, as Tradições, a Terra… o Exílio e as Saudades de Tudo….

As canções em mp3 podem também ser disponibilizadas por e-mail.

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EXEMPLOS

A mãe do emigrante (L e M-AMC) [400 CPR 254]

A mãe do emigrante 

Espero-te à tardinha
sentada no portal,
tal como uma andorinha
No ninho do beiral…

1. Partiste um dia, assim,
Era uma manhãzinha,
Abraçaste-te a mim,
A tua mãe velhinha…

Depois, e de repente,
Puseste-te a abalar,
Para não ver a gente,
Que estavas a chorar…

2. As cartas que me escreves
E eu leio a hora do terço,
São duas letras breves,
Falam sempre em regresso..

Esperando-te, a tardinha,
Eu rezo: ”Deus te ajude!
Regressa em vida minha!
Que eu tenha essa virtude!”

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Camponês e emigrante (L e M – AMC)  [400 CPR 236]

Camponês e emigrante

1. Homem! Trabalhas
Na Terra sagrada;
Eu beijo a enxada
Das tuas batalhas!

Rasga as funduras
Da Terra encantada;
Terra baptizada
De suor e amarguras!

Refrão:
A Primavera virá
florir os teus passos!
à noite, a ceia trará
carinhos e abraços…
aperta bem os teus braços!
…à porta, o papá
esquece os cansaços… (bis)

2. À Europa vai,
À América chega;
África não nega…
O Mundo o atrai!

E ao chegar
A paz da lareira
Esquece a canseira
No sagrado lar.

3. Homem! O Mundo
É grande e feliz!
Maior que o País,
Teu Sonho é profundo!

O teu destino
É pra além da vida
Cabeça erguida
Ao Sonho divino!

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Au bord de la Seine (L e M – AMC) [400 CPR 234]

Au bord de la Seine

Quand je suis triste, je vais jusqu’au bord de la Seine
Pour te chercher dans la nuit, dos courbé vers le sable…
Quand, à travers le brouillard, vient la lune guetter,
Je fais les pas solitaires des vies misérables…

Refrain:
Je voudrais mourir, mais d’amour, mais pour toi!
La Seine refuse m’entendre… pourquoi?
Elle s’en va douce et forte sans mon coeur qui bat,
Comme mes pas qui se traînent, la Seine s’en va…

Il y a des rêves en morceaux qui accompagnent la lune..
Tu ne viens pas dans cette ombre de mes bras en croix,
Pourtant, je marche, toujours, tristement, solitaire,
Le dos courbé, chaque nuit, par le loin que c’est toi.

PORT:

Quando estou triste, vou junto do Sena pensar,
Vou procurar-te, sozinho, olhos postos no chão…
Quando, vestido de névoa, espreita o luar,
Vejo as passadas deixadas pela Solidão…

E o Sena não leva esta mágoa sem fim!
A espuma escarnece pedaços de mim!
Lá vai o Sena a fugir sem o meu coração,
Num desespero eterno de amor-solidâo!

Passam farrapos de sonhos na luz do luar,
Não vens à cruz dos meus braços, em sombra, no chão…
E, assim, sozinho, sozinho, eu te vou procurar
E deixo escrita na areia esta cruz-solidão!

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Noiva do emigrante (L e M – AMC) [400 CPR 260]

Noiva do emigrante

Vou ser feliz, vou ser feliz de ora em diante,
Já não me importa que exista a palavra adeus!
Ontem, não tinha o meu amor, que era emigrante;
Hoje, já o tenho ao pé de mim, graças a Deus!

Vou ser feliz, ser feliz,
E cantar e cantar!
Dizer bem alto que te amo
e que vamos casar!
Tocam os sinos,
há flores e estrelas,
risos de meninos,
canções sempre belas…
e há nuvens no ar
e barquinhos no mar,
e acabou a tristeza,
a alegria chegou,
duas velas no altar,
um parzinho a ajoelhar,
e a noiva sorri,
sempre junto de ti…

FRA:

Je suis
l’heureuse fiancée de l’émigrant,
pour moi,
l’adieu n’existe plus, dorénavant!
L’amour,
je l’ai bien attendu, j’ai bien pleuré…
l’amour, l’amour, l’amour, l’amour est arrivé!…

J’aurai la joie de t’aimer,
de chanter, de chanter!…
et tout le monde saura
qu’on va se marier!
Entends les cloches,
les fleurs,
les étoiles,
les rires d’enfants,
et les chansons si belles,
les nuages dans l’air!
la tristesse est finie
et la joie arrivée…
deux bougies sur l’autel
nous les deux à genoux.
La fiancée – c’est moi!
(La fiancée – c’est moi!)
yeux bien fixés sur toi!…

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Romance de Portugal (L e M-AMC) [400 CPR 279]

Romance du Portugal

Refrão

Sentado a beira do mar,
Fitando as ondas
(Mar profundo…)
Vem o emigrante chorar
Olhando os longes
Deste Mundo…

1. Fita os castelos na areia,
À luz da Lua Cheia
De quando menino…

2. Vê-se pastor pequenino,
Guardando cordeiros
Nos tempos primeiros

3. Ei-lo Viajante do Mar!
A perder e a encontrar,
Ele aí vai, ele aí vem!

4. Quanto tinha, quanto tem!
Mas os olhos profundos
Vêm ébrios de mundos!…

5. As mãos cheias de Infinito,
Presente num grito
De cravos vermelhos…

6. Sonhos novos… sonhos velhos.
Céu e mar de esperança…
Que bom ser criança!

FRA:

Assis au bord de la mer,
Fixant les ondes (mer profonde…)
Le Portugal vient pleurer,
Fixant les ondes
De la mer…

1. Adieu châteaux en Espagne,
Au clair de la lune
de sa bonne enfance,

2. Le voilà maître du monde,
La Gloire est profonde,
Qu’il perde ou qu’il gagne,

3. Mais ses mains sont toujours vides,
Ses yeux toujours pleins
De rêves et d’étoiles,

4. Sa limite est l’infini,
Présent dans le cri
De ses oeillets rouges,

5. Mais, sans espoir, sa tristesse
Le mène à l’enfance…
…Toujours l’espérance…

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Regresso do emigrante (L e M-AMC) [400 CPR 278]

Regresso do emigrante

1. Olhaste a última vez essa aldeia distante;
Uns olhos rasos de pranto diziam adeus…
A tua alma parava, não ia adiante,
Mas vinha a luz da Esperança dizer: “Vai com Deus…”

E tu fizeste o peito ao alto!
mais companheiros prontos p’ro salto!
Depois, na França,
músculos de aço,
a tua esperança
vence o cansaço…

Longe, na terra,
estão os teus;
pensas na hora
do último adeus…
…francos no bolso,
viatura a andar,
eis-te a caminho
p’ra os abraçar…

2. Vendendo a força do corpo pelo pão para a boca,
Vens procurar o cantinho de quando criança…
– Porque, afinal, nesta vida, o amor não se troca:
faz-se de noite e saudade, de sol e esperança…

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A casinha do emigrante (L e M-AMC) [400 CPR 252]

A casinha do emigrante

A casinha do emigrante (do emigrante…)
Fica no alto da aldeia (alto da aldeia…)
E pelo dia adiante (adiante…)
Tem a vida da colmeia (da colmeia…)
De manhã, o Sol nascente (o Sol nascente…)
Traz-lhe a voz dos passarinhos (passarinhos…)
E o trabalho vai contente:
Tens contigo a tua gente,
Nunca mais faltam carinhos!

Refrão:
O emigrante chegou,
Fez casa na aldeia.
Nunca mais voltou
A sua odisseia!
O seu coração
Pode descansar:
– Os filhos têm pão
Há calor no lar…

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Fado para o emigrante desconhecido (L e M-AMC)  [400 CPR 243]

Fado para o emigrante desconhecido

1. És do campo ou és da serra?
– Tua boca nada diz… (bis)
Fechada em fome de terra,
(És do campo ou és da serra?)
Na terra foste infeliz… (bis)

2. Quando penses nesta vida
De revolta e solidão, (…)
Tens na tua Pátria querida
(Quando penses nesta vida…)
A doce palavra irmão… (,..)

3. Quando regressares de vez
Da venda do teu suor, (…)
Que já não saibas de cor
(Quando regressares de vez…)
O teu fado português! (…)

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Um amor português (L e M-AMC) [400 CPR 284]

Um amor português
O amor é pedaço de céu,
é retalho de véu,
ou de nuvem do ar.
O amor é colina, é aldeia,
é trabalho, é colmeia
a crescer e a cantar!
O amor é bocado de chão,
é uma enxada na mão,
é fogueira no lar,

É lábios de uma rapariga,
de olhar em cantiga,
p’ra logo chorar . . .

O amor é o pão,
o vinho, o calor,
é o ontem, o hoje,
é o Sempre – o amor!
E não é Paris,
nem França, nem Mundo,
pois, no meu País,
é bem mais profundo! (bis)

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A Chuva cai em Paris… (L e M-AMC) [400 CPR 230]

A Chuva cai em Paris…

A chuva cai…
Na aldeia há frio, talvez neve…
Talvez um coração que pára…
Talvez a Dor, na solidão desses caminhos…
Ou o abandono sem carinhos…
… A chuva cai…

Refrão:

Na minha aldeia, os pobres,
sem calor, talvez sem pão…
Lareira de abandono,
cinza fria, solidão…
Na minha aldeia, o amor
abre-se em chamas de esperança,
em braços de criança
que espera o pai…

A chuva cai…
com a tristeza e o abandono…
Folhas caídas pelo Outono…
Estar à janela,
A ver a chuva, faz pensar
Que existe o amor, que existe um lar…
… A chuva cai…

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Recordações do emigrante (L e M-AMC) [400 CPR 276]

Recordações do emigrante

Enquanto
levemente a Lua passa
e a brisa
adormece entre a folhagem,

Enquanto
nem só uma ave esvoaça,
eu canto
num sorriso à tua imagem…

Na alma
tenho rosas e poesia
e a angústia
do meu grito em ansiedade!

Perdi-me
nos caminhos da alegria
em busca
de maior prosperidade!

Refrão:

Minha aldeia!
Do mistério e das barreiras,
Da coragem, das canseiras,
Ferro, fogo, ardor, paixão!!

Minha aldeia!
Dos bons-dias nos caminhos,
Candeia acesa aos velhinhos,
Saudade e recordação… (bis)

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