MÚSICAS para AMÁLIA

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2015 –MÚSICAS PARA VERSOS ESCOLHIDOS POR AMÁLIA

Amália Rodrigues apreciava muito as melodias de AMC, a quem entre amigos chamava “o autor das mocas”, em alusão a uma canção de que gostou muito intitulada MOCAS DE RIO MAIOR.

Foi ela que lhe deu a ideia de compor para a MENSAGEM de Fernando Pessoa, pois um sonho dela era gravar algumas músicas com esses poemas. Foi naturalmente enorme o entusiasmo de AMC perante esse projecto.

Mas as músicas que escrevi para a exigente MENSAGEM ultrapassavam as capacidades vocais  da Artista nesse tempo – 1977 – AMC não suspeitava.

Então Amália entregou-lhe um livro de versos (ESPELHO DO MAR) de um poeta amigo, Mário Pissarra, para que aí seleccionasse e adaptasse à vontade poemas a musicar.

O que foi feito com o cuidado de não ultrapassar o âmbito da oitava da escala da voz já sexagenária da fadista.

O processo selecção e moldagem de textos e escrita musical de alguns desses poemas, 18 no total, está documentado neste livro ESPELHO DO MAR.

Os seguintes exemplos são extraídos de ESPELHO DO MAR e da MENSAGEM.

Das 44 músicas dedicadas à MENSAGEM damos outros exemplos num capítulo próprio deste site dedicado a MENSAGEM de Fernando Pessoa. (Ver: https://amadora-sintra-editora.pt/produto/musicas-para-a-mensagem-de-fernando-pessoa/)

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EXEMPLOS

Mocas de Rio Maior (Letra e Música: Altino M Cardoso)

REFRÃO
Rio Maior, onde a moca fala
E sabe o que diz, vamos a escutá-la!
Ela sabe o que diz, vamos a escutá-la!
Rio Maior de moquinha ao alto,
De lá a Lisboa é apenas um salto!
De lá a Lisboa é apenas um salto!
1. As mocas de Rio Maior
São bons microfones sem fio:
Por elas o som tem valor
Para se ouvir melhor
Do outro lado do rio!
2.  As mocas de Rio Maior
Não são nem martelo nem foice,
Nem mesmo instrumento de guerra,
Pois que, lá na terra,
Se comem em doce…

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Espelho (Letra: Espelho do mar)

O meu olhar anda errante
Em busca de um doce abrigo
Indeciso viajante (bis)
Procuro o silêncio amigo.

REFRÃO
Sinto-me em tudo o que existe
Vejo-me em tudo o que espreito:
– Um tédio cansado e triste
Com quatro punhais no peito. (bis)

… Mas tudo o que tenho olhado
Contém vestígios de mim…
Sem nunca lá ter passado
Conheço mundos sem fim.

… Ambiciono a paz e a calma
Do Pensamento sereno
Mas todo o mundo é pequeno
Pois cabe dentro da alma.

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Outono (Letra: Espelho do mar)

Meditação… soledade
Perdidas nas tardes quietas; (bis)
Desolação e saudade (saudade) (bis)
Nas tristezas desinquietas. (bis)

REFRÃO
Abandono, esquecimento
Do martírio de viver…
Anda no céu qualquer coisa (no céu qualquer coisa)
Que nos ajuda a sofrer!

Roxos lírios desfolhados
Vestem todo o firmamento;
Há silêncios magoados (no mar)
Sobre o mar do pensamento.

Poentes alucinados
Estação das agonias!
– Romances inacabados (de amor)
Nascidos todos os dias.

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Dona Filipa de Lencastre  (Letra: Mensagem | M – Altino M Cardoso)

FILIPA DE LENCASTRE

Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia? (bis)

Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Graal,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal! (bis)

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Dona Tareja    (Letra: Mensagem | M – Altino M Cardoso)

DONA TAREJA

As nações todas são mistérios.
Cada uma é todo o mundo a sós.
Ó mãe de reis e avó de impérios,
Vela por nós! (bis)

Teu seio augusto amamentou
Com bruta e natural certeza
O que, imprevisto, Deus fadou.
Por ele reza! (bis)

Dê tua prece outro destino
A quem fadou o instinto teu!
O homem que foi o teu menino
Envelheceu. (bis)

Mas todo vivo é eterno infante
Onde estás e não há o dia.
No antigo seio, vigilante,
De novo o cria! bis(

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Mar português (Letra: Mensagem | M – Altino M Cardoso)

MAR PORTUGUÊS

O’ mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

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Noite (Letra: MENSAGEM | M Altino M Cardoso)

NOITE

1.A nau de um d’eles tinha se perdido
No mar indefinido (no mar indefinido).
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei (de na fé e a lei)
Da descoberta ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura. (bis)

2.Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo (volveu do fim profundo)
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera. (o enigma que fizera)
Então o terceiro a El-Rei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou. (bis)

3.Como a um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar. (os servos do solar)
E, quando o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura, (da febre e da amargura)
Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.(bis)

4.Senhor, os dois irmãos do nosso Nome—
O Poder e o Renome — (o Poder e o Renome)
Ambos se foram pelo mar da idade
À Tua eternidade; (à Tua eternidade)
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói, (bis)

5.Queremos ir buscá-los, desta vil
Nossa prisão servil (nossa prisão servil):
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia, (de nós; e, em febre de ansia)
A Deus as mãos alçamos,

Mas Deus não dá licença que partamos…

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