TAUC – Tuna Académica da U de Coimbra

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Descrição

Homenagem ao maestro

TOBIAS CARDOSO

(26-11-2021)

Discurso de Altino M. Cardoso:

Professor Tobias Cardoso, querido Maestro e Amigo:

Apesar das distâncias de Sintra a Coimbra, eu nunca poderia deixar de estar presente nesta Hora de Gratidão, para a qual a NOSSA TUNA – tão velhinha, e tão eternamente nova – nos convocou. E, aqui presente, nunca poderia deixar de lhe dedicar algumas palavras de homenagem e, ainda mais, de admiração e amizade.
Assim, vou acrescentar ao afinadíssimo coro de palmas e abraços desta sinfonia de tunos, velhos e novos, os meus PARABÉNS e o MUITO OBRIGADO, amigo e grato, que transcende qualquer tempo ou espaço.

Quero também que caibam, nestas brevíssimas palavras pessoais, dois momentos de retrospectiva da nossa passagem pela TUNA – “a nossa querida Velhota”, já ultra-centenária:
– ‘Matriculei-me’ na Tuna em 1964, com um teste de violino, que consistiu em tocar a pauta da música “Vira-te pra mim, ó Rosa“ uma oitava acima, em lá menor, portanto na 3ª posição. Apesar de ser caloiro (ah! nesse ano ainda havia caloiros!) e cheio de medo do olhar austero e penetrante do Maestro, lá me desenrasquei…
E até recebi um elogio: “Você lê muito bem pautas!“ Elogiada a leitura, mas esquecidas as fífias…
Lia bem pautas, sim, desde miúdo. E fui-me integrando e interagindo no ambiente de música e magia do espírito tuno (e por vezes tunante) até 1972, quando tive de deixar a Tuna, os Tangos e o “Xexas“, depois do Curso, Pedagógicas, Estágio e Exame de Estado no D. João III (Zé Falcão).
Então, mais tarde, resolvi elaborar uma perspectiva histórico-musical da TAUC em dois livros, em que condenso duas das datas mais magníficas da TAUC e a memória de quem, nessa altura, projectou para bem alto o nome da TAUC e da nossa “Alma Mater Conimbrigensis”. Maestros criadores dessas datas: Alves Ferreira e Tobias Cardoso

– A primeira data que classifico como de ouro centrou-se em 1956, na época heróica do Polybio presidente: a viagem do Périplo de África. Tive a sorte de ser apoiado pelo diário, precioso e milimétrico, do nosso Zé Paulo Soares. Publiquei-o com o nome de “1956 – UM ANO DE OURO DA TAUC“.

– A segunda data de ouro da TAUC é a de Tobias Cardoso e centra-se em duas grandes viagens em 1970: EUA na Páscoa e Japão em Agosto. Quais as razões de tão honrosos convites, sinónimos de prestígio internacional?
Apesar da pouca literacia musical vigente nessa época, Tobias tem uma ideia genial: criar um Ensemble de Câmara de Plectro, a que dá o nome de “Carlos Seixas”, compositor coimbrão, da época dourada de D. João V.
O repertório do novo grupo era tão impactante como inexpectável, pois transcrevia grandes concertos de cravo (ex Mozart, C Seixas) ou de grandes clássicos (ex. Beethoven, Vivaldi) para meia dúzia de populares e banais instrumentos de palheta – bandolins, bandola, bandoloncelo, viola e viola baixo). O plectro dava a estas músicas uma luminosidade sonora de uma limpidez até aí nunca experimentada!
Como eu lia bem pautas, encarregou-me da bândola e, depois, do bandoloncelo…
Apresentado o conjunto a concurso em 1967 em Neerpelt (Bélgica) no Festival Europeu de Música Jovem (até 25 anos) de toda a Europa, este Ensemble de Tobias Cardoso venceu o 1º lugar no seu segmento e perante mais de uma centena de grupos jovens de gabarito: conservatórios e outras prestigiadas escolas de Música europeia.
A partir daí os nossos concertos do “Xexas“ provocavam nos melómanos uma enorme surpresa e aplauso.

Mas o ano da plena consagração musical da Tuna e do seu Ensemble de Plectro ocorreu em 1970.
De facto, a Tuna e o Ensemble estiveram nos EUA nas férias da Páscoa e, em Agosto, o “Xexas“ rumou ao Oriente, com o patrocínio da Cruz Vermelha Internacional com alguns concertos e um vastíssimo roteiro:
Bruxelas, Atenas, Teerão, Bombaim, Bangcoque, Macau e Hong Kong, Tóquio, Kyoto, Nara, e Osaka – onde decorria a EXPO’70. O próprio Papa (Paulo VI), de férias em Castelgandolfo, pediu para dedilhar uma guitarra do nosso Fado, quando o fomos visitar no regresso a Lisboa, por Roma e Madrid…
Tornou-se imperioso para mim gravar também estes dados gloriosos de 1970 noutro livro sobre a TAUC: “1970–ANO DE OURO DA TUNA ACADÉMICA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA“.

Não me canso de repetir que tenho mantido bem vivas as minhas saudades de Coimbra e da Tuna, “a nossa Velhota”. E aqui se inclui a gratidão e estima para com o Maestro que sempre me incentivou e ajudou a viver a Música, até no Conservatório, onde era professor de violino.
E é com emoção e orgulho que, hoje, nesta tão digna Homenagem, partilho a minha convicção de que cabe a Tobias Cardoso uma honra imperecível: ele gravou no ADN centenário da TAUC uma novíssima fase evolutiva e um novo e prestigiado rumo criativo, que se tem multiplicado até aos nossos dias.
Tobias Cardoso ficará na própria História de Coimbra como o clássico profundo, que transcende o espaço individual e temporal, pois contribuíu para projectar a TAUC não apenas no universo da Academia, mas, ainda, na aura nacional e mundial da própria Universidade, que D. Dinis criou e acarinhou.
Meu caríssimo Prof Tobias Cardoso: é uma grande Honra tê-lo conhecido e merecido a sua Presença, Ajuda e Amizade!

Sintra, 25-11-2021
Altino Moreira Cardoso – altinocardoso@sapo.pt
https://amadora-sintra-editora.pt

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